Brasil e Alemanha renovam Memorando de Entendimento para cooperação bilateral no setor agrícola
Em dezembro de 2023 os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar – MDA (Ministro Paulo Teixeira) e da Agricultura e Pecuária – Mapa (Ministro Carlos Fávaro) renovaram o Memorando de Entendimento (MoU) com o Ministério Federal da Agricultura, Alimentação e Identidade Regional (BMLEH)(Cem Ōzdemir, ministro à época).
O primeiro MoU do setor foi assinado em 2020. Este novo memorando, válido por três anos, foi formalizado em Berlim, no âmbito do Diálogo Agropolítico Brasil-Alemanha. O memorando de entendimento visa intensificar a cooperação bilateral Brasil-Alemanha para promover:
- Entendimento mútuo e cooperação técnica no setor agroalimentar;
- Troca de informações sobre o quadro regulatório e padrões aplicados no setor agrícola, bem como a elaboração e troca de informações estatísticas e técnicas;
- Fortalecimento do trabalho em rede e a facilitação/suporte a parcerias entre atores alemães e brasileiros no setor agroalimentar.
Os ministros também assinaram uma Carta de Intenções para desenvolver ainda mais a cooperação existente com o Brasil no campo da bioeconomia. A carta de intenções foi endossada pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI). O objetivo é aprimorar a produção industrial nos campos de bioprodutos, bem como na produção agrícola sustentável de alimentos, ração, fibras, produtos madeireiros e insumos à base de biocombustíveis.


Jorge Sellare, Fernanda Martinelli e Jan Boerner da Universidade de Bonn apresentam neste artigo o papel das inovações bioeconômicas na catalisação de sinergias entre as cinco trilhas de ação para a transformação do sistema alimentar propostas pela Cúpula do Sistema Alimentar da ONU e fazem recomendações relacionadas à sua adoção e gaps de conhecimento. O artigo se concentra em quatro inovações: bioinsumos para produção agrícola, culturas biofortificadas, substitutos de carne à base de plantas e biocombustíveis.
O Brasil é um dos líderes globais na produção e adoção de bioinsumos no campo. O desenvolvimento de novos produtos de origem biológica é uma tendência crescente no mercado nacional. Com o avanço da produção e incorporação dos bioinsumos na agropecuária, o país tende a se beneficiar econômica e ambientalmente. Mas a popularização dos bioinsumos também traz consigo preocupações.
A recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que rejeitou a tese do marco temporal, garantindo os direitos constitucionais dos povos originários, é mais um exemplo da necessidade de construção de um novo pacto político no mundo rural brasileiro. É o que defende, nesta publicação, o cientista político Wellington Almeida.
Historicamente a produção brasileira de carne bovina está ligada a uma vasta devastação ambiental e agora encontra-se em uma encruzilhada. As discussões sobre o acordo comercial União Europeia – Mercosul aumentam ainda mais a importância de questões cruciais de sustentabilidade, mas, por outro lado, podem apoiar transformações no setor.

A agricultura orgânica e o mercado de orgânicos na Alemanha cresceram rapidamente nos últimos 20 anos. Desde 2000, a área de produção orgânica mais do que triplicou, e as vendas no varejo aumentaram mais de sete vezes. Em 2022 a área de produção orgânica era de 11%. Em 2021, ano do auge da pandemia de Covid-19, as vendas no varejo atingiram sua maior participação, 7%. Com relação ao faturamento de vendas agrícolas, os produtores de alimentos orgânicos atingiram uma participação de 7%.